Friday, February 20, 2009

meio ano

há seis meses você saiu de dentro de mim. eu quis e lutei muito pra que fosse da maneira mais natural possível, mas havia uma grande chance de que você pudesse sofrer e eu não quis pagar para ver. foi quando abriram minha barriga num corte estreito e foi por lá que puxaram seu corpinho pra fora do meu. a gente tinha que se separar pra poder se conhecer, e confesso que durante um longo tempo eu sofri por essa contradição. senti você se esticando e empurrando minhas costelas por mais alguns dias mesmo depois de você já ter me deixado, até que compreendi seu coração como algo à parte do meu. você agora tem dentes, tenta ficar de pé, faz careta pra minha comida e ensaia um senso de humor bonito. eu admiro seu jeito de amar e sua boa vontade com o mundo. antes de te conhecer, eu tinha medo de que meu amargor de gente grande contaminasse sua ingenuidade, mas hoje vejo o quanto fui boba e precipitada - você me suaviza a cada dia. já não consigo mais passar pelas portas de casa com você atravessado nos meus braços de tão grande que você ficou. quando dormimos abraçados na cama, você esticado ao meu lado e eu repirando na sua nuca, seus pés já alcançam meu quadril e quase sempre me chutam nos seus movimentos ainda descoordenados de bebê. hoje mergulhamos os dois na banheira e brincamos juntos para comemorar mais uma vez seu nascimento. eu queria muito que você pudesse se lembrar de tudo isso depois de crescer. e é pra esse teodoro adulto que eu escrevo hoje - pra que ele possa, sempre que quiser, saber do meu amor de antigamente.

8 comments:

Isadora said...

Esses pequenos nos encantam e reinventam, a cada dia, sempre, e tomara que pra sempre!

Aline said...

Como eu queria que a gente lembrasse como foi descobrir o mundo e se sentir tão amado. Ser bebê é fantástico! É uma pena que a gente esquece...

Parabéns pelos 6 meses do Teodoro.

Isadora said...

Tem uma brincadeira para vc na minha página! Bjo

Jefferson said...

Texto sincero, comum e magnificamente encantador! Parabéns Marcela. Tenho certeza que o seu filho, daqui a alguns anos, irá se deliciar com esses e tantos outros pensamentos que você há de escrever.
Beijos,
Jefferson

Felipe said...

Desculpe-me não concordo com sua matéria na revita Bravo sobre stand up comedy.
O humor na tv não é só na tv aberta.
Humoristicos como, Larica Total(canal brasil), Hermes e Renato (mtv),Cilada(multishow), etc, não tem a divulgação merecida por estar num gueto burguês.(tv à cabo). Desconsiderar humoristas que escrevem esquetes de humor é um pouco de emoção teatral.
O cqc assim como Pânico dependem dessa matéria prima requentada chamada celebridades.
Sinceramente eu tô pouco me fodendo para a Suzana Viera, Clodovil e Danielle Ciccareli, portanto esse tipo de humor não me interessa e também não é nada inovador.
Percebo que vc escreve bem mas a sua concepção de humor é um pouco feminina demais. Até gosto de alguns humoristas que fizeram stand up comedy, mas sem duvida o seus trabalhos mais relevantes são no cinema e em programas humoristicos de tv. Ex: Steve Martin, Woody Allen, Bill Murray, e toda aquela trupe antiga do SNL.
Humor no teatro é para quem gosta de que berrem em seu ouvido.
Com respeito e Ignorância.

Jesse Valadão Jr.

O Editor said...

Bom, voltaandoo...

Escrever e fazer filhos.Tudo acaba sendo perpetuação de nós mesmos.Um completa o outro.

Tenho este mesmo exercício.Ambos me desafiam e desafiam um ao outro.Letra e gene.

Gostei, - texto franco.

Psiu, viajei?Já ta tarde...
beijo

Naira,a mãe do Théo said...

Linda tó chorando!!!! Lindo texto Teodoro certamente amará ter uma mãe escritora e um texto como esse para ler quando adulto!!!
Bjokas
Te adoro
Naira

Anonymous said...

Lindo!!