Monday, November 26, 2012

para teodoro

tão burrinha, a formiguinha. desde pequenina - e elas crescem? - obedece à fila da comida, seguindo em frente sem parar, você aí, apanhe o pedacinho de pão, dê meia-volta e não chegue tarde, ou a rainha vai zangar. porque tem rainha, a formiguinha. rainha que come sozinha os pãezinhos, folhas, os bichinhos que todo mundo busca, certa ela, quero reinar também quando crescer - hei de duplicar de tamanho! -, chega de ordem e fila para mim. mas mamãe formiga diz que bom mesmo é operar e trabalhar, nossa, como é sozinha, essa rainha. na fila tem conversa, tem cosquinha na anteninha, todo mundo se cumprimenta, cheira o bumbum e o focinho, e é tudo um eterno passeio. às vezes, acontece de alguma formiguinha bem velhinha de repente desligar. que confusão se faz na fila! pluft, pára ela, toda durinha. vira pãozinho, vira folha, vira bichinho, porque assim desligadas elas não andam, nada mexe, e a fila se reveza a carregar nas costas a antiga amiguinha de volta para casa. tem quem se perca enquanto a fila segue, suba num braço ou saco de lixo, e a gente nunca mais vê nem tem notícia. mamãe diz que as coisas do mundo das formigas também acontecem na vida dos outros. eu duvido, porque nunca soube de ninguém ir passear na poça d'água e não chegar em casa nunca mais. que burrinha, a formiguinha! se enroscou nos meus pelinhos, dei um soprão e ela não quer sair. sacodindo a mão eu a derrubo, sem querer, numa gotinha de chuva. nada, formiguinha, nada! mas ela tem preguiça de bater os pezinhos e as mãos, e fica lá, boiando feliz de costas, se esquentando no sol.

1 comment:

Por que você faz poema? said...

Após um ano, enfim,
uma postagem.